terça-feira, 13 de agosto de 2013


quinta-feira, 26 de julho de 2012

Ensaios de uma vida noturna:O Pelicano Embriagado (Parte1)



Cheguei ao local combinado com exatas duas horas de antecedência,detesto deixar que os outros esperem por mim,ainda mas tratando-se de um encontro para "negócios".


Aguardava um sujeito que conheci através de um jornal,na areá de venda e aluguel de imóveis onde apontava-se o seguinte anuncio:


Vende-se:

Imponente residencia em terreno de 1.200 mts com 2 quartos(suítes),1 sala , cozinha com armários e dependências de empregada , terraço inferior com garagem.

Tratar com: Pelicano



"Ora,Pelicano"Pensei,eis um apelido usado com muita frequência para descrever indivíduos que tem muito papo a oferecer,daqueles que falam desmoderadamente,)como diria minha velha avó "Daqueles que falam mais que o homem da cobra").Neste caso eu já havia até preparado meus ouvidos, caso viesse algum tipo de ladainha indesejável ou mesmo aquela tipica e penosa conversa mole,daquelas que só se concorda com a cabeça ou se faz curtos ruídos de aprovação como resposta.


Algo que notei é que desde que comecei a procurar por imoveis bons e baratos tenho me deparado muito com esses Pelicanos da vida,tanto que nenhum outro apelido seria tão adequado a vendedores de imóveis quanto esse.


Nada contra esse tipo de profissionais,considerando que é preciso ter uma lábia realmente muito ardilosa para vender certas dependências,que muitas vezes não valem nem um terço do que é cobrado.



As duas horas seguintes passaram-se quase que despercebidas,havia mantido a cabeça um tanto longe,meditando um pouco sobre a conversa que tive ao telefone com o "Pelicano".


Algo na voz dele me chamou atenção,era como se ele puxasse todo o ar atmosférico para si enquanto falava,o que indicava ter uma tremenda de uma bocarra,ou que talvez fosse um daqueles imitadores profissionais do Pato Donald,esta ideia me rendeu muitas risadas ao fim da ligação e eu tinha quase certeza de que talvez renderia mais algumas durante a negociação, fazendo-me botar tudo a perder.






-Ah,ai está você-disse ele com sua hilariante voz,que desta vez não teve graça alguma,para ser franco a sensação que tive foi a do mais sincero pavor,ao ver aquela grotesca imagem que se despunha a minha frente,neste momento pude tomar parte de duas de minhas conclusões anteriores:



Primeiro:Ele realmente possuía uma boca muito avantajada.






Segundo:O tal Pelicano,não era imitador do pato Donald coisíssima alguma mas sim o primo legitimo do mesmo.






-Você é mesmo um Pelicano!?-Berrei assustado afastando-me do bicho -Meu Deus,só posso estar ficando louco.-






-E o que tem de tão perverso nisso?Desde quando existe uma lei que proíba Pelicanos de vender casas?-Indagou ele,assustando-me ainda mais com o movimento de sua assustadoramente grande boca.






-Ora,que eu saiba,pelicanos vivem nos lagos,não vivem por ai vendendo casas,ou marcando encontros por telefone-Respondi,mantendo sempre uma considerável distancia do bicho,sabendo que se ele realmente quisesse me pegar ele faria num bater de asas.






Ele riu,parecendo constrangido,estendeu-me então uma de suas asas,fazendo-me uma estranha e desajeitada reverencia.


-Desculpe-me a falta de atenção,sabia que eu deveria ter especificado melhor a minha espécie por telefone,esqueço que vocês humanos tem uma mente muito pequena quando se trata de coisas incomuns.






Segurei a asa estendida com cuidado para não machuca-lo,sentindo ainda um bocado de receio de tudo aquilo e ao mesmo tempo envergonhado,por ter sido repreendido por um animal falante.






-Bem,para falar a verdade,não consigo acreditar que isso esta acontecendo.-Assumi,tentando manter o tom de voz o mais agradável possível,nós baixinhos temos de ser cuidadosos com pelicanos,existe uma chance considerável de cabermos inteiros dentro de suas bocas.






-Ora,mas pelo menos você não correu,teve uns maricas que sumiram em menos de um minuto assim que me viram,e outro maluco que tentou me matar,não está fácil para ninguém vender uma casa hoje em dia.-Retrucou ele,bem humorado,largando-me a mão.






-Mas isso não é mesmo uma fantasia,não é?-Perguntei agora um pouco mais a vontade,quase certo de que aquele bicho não me devoraria.






-Ora,e ainda tem duvida?Se quiser te deixo olhar dentro de minha boca-Respondeu ele abrindo-me a bocarra,juro que se eu estivesse com algum problema de diarreia no dia teria me borrado todo.






-Não,não precisa...acredito em você...feche...feche a boca-Implorei sem jeito -Melhor falarmos logo de seu imóvel,como vai ser?






-Bem,não espero tratar de negócios aqui nesta praça,está escurecendo,melhor irmos para um lugar mais privativo-Resmungou o bicho,passando por mim com naturalidade,pelo menos da forma mais natural que aquela situação poderia parecer.-Frequento um clube noturno muito bom,na rua dos magnatas,lá tem um bom espaço para se conversar,e ótimos "aperitivos" se é que me entende-Fitou-me na espera de uma resposta positiva.


Eu concluía então com meus botões que ao contrario de meus persentimentos passados,o bicho não falava pelos cotovelos,sendo que nem ao menos cotovelos a estranha criatura possuía.



-Desculpe-me amigo,mas não costumo frequentar este tipo de lugar,sou um homem casado e...-Antes que eu pudesse terminar minha frase o Sr.Pelicano interrompeu-me com uma estridente gargalhada que ressoou por todo o quarteirão.






-Ora,filho...quanto a isso não te preocupas-Disse ele-As mulheres que eles servem por lá não dão nem vontade de serem consumidas,gosto de ir lá pela porçãozinha de manjubas apimentadas.-E ele realmente tinha razão,eu nunca em toda minha vida frequentará um clube noturno mas tinha certeza absoluta,de que aquele era um dos piores que alguém já pisara.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Deposito de Sangue-sugas


Paramos de tentar,paramos de entender
A gravidade,do que temos que fazer
Pensar machuca,lutar não é preciso
A sua culpa e falta de juízo
A cada dia,tudo pode ser fatal
A hipocrisia,nosso estado cerebral
O homem pensa,o que só pode pensar
A vida engata,não tem mais como voltar


Preciso me encontrar mas não sei aonde estou
Paredes brancas,istinto suicida
Toalhas novas,cheiro de inseticida


Estou sozinho,vendo o mundo ao meu redor
Palavras soltas,quebrando com o ar